Um amigo pra chamar de seu!

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Ando ouvindo e venho presenciando várias conversas sobre amizade ultimamente, geralmente reclamações, lamentações, desabafos…. Coincidentemente anda sendo bem difícil encontrar perfis do X.five com esse eixo bem desenvolvido… E contraditoriamente, anda sendo cada vez mais comum encontrarmos pessoas com no mínimo 300, 400 ou mais amigos em contas nas redes sociais…

Quanto mais cresce a média de amigos que cada pessoa tem em suas contas sociais pelo mundo, mais cresce também os índices de depressão, síndrome do pânico e outras doenças psicológicas… (pura coincidência?)

É só você parar para observar um pouquinho ao seu redor que você verá pessoas sentindo-se sozinhas, sem ter com quem contar ou mesmo desabafar, andam como conchas fechando-se à olhos vistos… Mas, observe também que é cada vez mais comum vermos pessoas sem paciência para os problemas e limitações dos outros, intolerantes, irredutíveis em seus julgamentos e sem conseguir entender, e muito menos aceitar, escolhas/crenças/estilos diferentes dos seus.

Voltemos nosso olhar para nós mesmos: A vida anda nos empurrando a ideia de que “poxa, já tenho meus próprios problemas, vou ficar aguentando problema dos outros?”, ou ainda “nossa, não sou obrigado a ficar ouvindo isso”. Ainda podemos sentir aquela cobrança de que – porque os outros estão “se dando bem”, ou “curtindo a vida”, ou “realizados” nas fotos e publicações – eu também tenho que mostrar para os outros que tô bem, que “não tenho problemas”, afinal, o que vão pensar? Que fracassei na vida? Tem ainda aqueles que postam cada passo que dão mas não querem “ninguém se metendo na sua vida!”, e por aí vai…

Talvez as redes sociais possam ter criado essa ilusão de que só teremos “likes” quando compartilhamos alegria, sucesso, beleza… Talvez não… Mas que está cada vez mais comum sorrisos forçados, cenas montadas, poses programadas, isso tá! Essa aparência, essa necessidade de “curtir”, “seguir”, “compartilhar” me dá a impressão de que quanto mais nos aproximamos no mundo virtual, mais nos afastamos do mundo real…

Apesar de alguns amigos meus pensarem que sou contra esse mundo virtual, eu não sou não! (Estou aqui, certo? Rsrsrs). Mas eu sou e serei sempre mais a favor do mundo REAL. Do abraço verdadeiro, da presença em carne e osso, da ligação, do encontro!

Isso porque eu acredito verdadeiramente que o ser humano tem – por essência – necessidade do outro em sua vida. Somos seres sociais, mas não de “fazer social”, somos seres de “estar com”, de “pertencer”. E essa sensação de pertencimento só vem quando nos sentimos aceitos, verdadeiramente aceitos, por outros. Assim, como realmente somos, com nossos limites, inseguranças, fraquezas…

Só tem um probleminha:

Todo mundo quer ser aceito, entendido, acolhido, porém, tá muito – muito difícil mesmo – ver quem tá disposto a treinar (porque é um treino) aceitar, entender, acolher o outro como ele é!

Mas se todos querem ter um amigo assim, por que anda tão difícil ser esse amigo também?

Porque tá difícil ter paciência com o jeito do outro, com o tempo do outro, com as escolhas do outro? Em que parte do caminho a gente foi se perdendo? A gente foi perdendo essa predisposição interna de se “importar” verdadeiramente com esse outro?

Em que parte do caminho os amigos foram se distanciando, as casas se esvaziando, a vida se individualizando?

Quando é que fomos entendendo que esse investimento em nossas relações passou a ser “perda de tempo” ou “falta do que fazer”?

Estamos parecendo ilhas… Isoladas, feridas, devastadas… E as vezes é necessário que uma se choque com outra, crie tsunamis, para que se tenha a devida atenção da profundidade de seus continentes internos…

Precisamos nos resgatar, precisamos voltar a criar pontes entre nossas ilhas internas e atravessá-las de vez em quando.

Afinal, dá trabalho ouvir e abraçar, secar uma lágrima e brigar, sim – brigar – pois amigo que é amigo dá bronca, puxa orelha, se preocupa – exato: amizade é se pré- ocupar do outro. Só com esse ocupar-se do outro verdadeiramente, que os encontros tornam-se mais significativos, os sorrisos mais largos, as risadas mais gostosas!

E não é possível fazer isso com todo mundo. Por isso que amigo é raro, são poucos, mas são o suficiente para que você tenha seu coração preenchido, para que você saiba que faz sentido e que tem significado na vida de alguém!

Amigo que é amigo se conta nos dedos, não nas curtidas!

Amigo que é amigo, não é aquele que tem a sua senha do wifi, é aquele que desliga o celular para estar com você!

Então, que amigo você está sendo ultimamente? Tá mais para o virtual ou é daqueles amigos reais?

Que tal aproveitar esse fim de semana para pensar sobre isso?

Comece um pouquinho por dia, treinar se importar, se pre-ocupar um pouquinho com alguém além de si mesmo, treine desligar o celular (ou deixá-lo no bolso) enquanto está com o outro. Você vai percebendo aos poucos que o “doar-se” é na verdade um “preencher-se”.

E vá assim, preenchendo seus momentos e sua vida com pessoas, contatos e memórias cada vez mais reais!

Combinado?

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